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PSICOPATIA
Acorrei, espíritos que velais sobre
os pensamentos mortais! Tirai-me o sexo e, dos pés à
cabeça, enchei-me até transbordar da mais implacável
crueldade! Fazei que meu sangue fique mais espesso; fechai em mim
todo acesso, todo caminho à piedade, para que nenhum escrúpulo
compatível com a natureza possa turvar meu propósito
feroz, nem possa interpor-se entre ele e a execução!
Vinde a meus seios e convertei meu leite em fel, vós gênios
do crime, do lugar de onde presidis, sob substâncias invisíveis,
a hora de fazer o mal! Vem noite tenebrosa, envolve-te com a sombria
fumaça do inferno para que meu punhal agudo não veja
a ferida que ele vai fazer e para que o céu, espiando-me
através da cobertura das trevas não possa gritar-me:
´´ pára! pára! ``.
Lady Macbeth, nos momentos que antecedem ao assassinato do rei
Duncan, que dorme em seu castelo como hóspede.
A
tragédia de Macbeth.
William Shakespeare.
A citação que abre esta publicação,
proveniente de uma peça teatral, mostra de uma forma vigorosa
e dramática aspectos profundos do tema que trataremos agora.
Compreender
melhor o funcionamento dos psicopatas é uma tarefa de importância
vital para a humanidade. O número de portadores deste transtorno
cresce vertiginosamente e eles se infiltram em todos os âmbitos
do tecido social, do direito à medicina, da polícia
ao mundo dos negócios e principalmente na política.
O resultado é a condição de total insegurança
que vivemos nas ruas, no transito e dentro de nossas casas. A ação
de psicopatas dentro de grandes empresas quebram a confiança
de acionistas e investidores que não acreditam nos dados
fornecidos pelas empresas e em seus auditores.
O acionar dos psicopatas no mundo da política tornou o mundo
mais empobrecido
e sem perspectivas para bilhões de seres humanos.
É do contingente dos portadores deste transtorno que saem
os autores dos piores crimes contra a humanidade embora um grande
número deles não cheguem a cometer crimes violentos.
Os psicopatas são seres atormentados e que fazem sofrer outros
seres humanos muito mais do que eles próprios sofrem, por
razões que ficarão mais claras neste estudo.
São seres muito destrutivos em suas relações
com o ambiente, com eles próprios e principalmente com as
pessoas com quem se relacionam.
A sua conduta predatória os transforma no maior inimigo do
ser humano.
É muito importante delimitar o conceito de psicopatia para
que não se torne um rótulo aplicado indiscriminadamente,
como já ocorreu com opositores de regimes totalitários
e com seres humanos levados à delinqüência como
última possibilidade de sobrevivência.
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Conceito de psicopatia e seu desenvolvimento histórico
Nos
estudos médicos sobre este transtorno são usados como
sinônimo de psicopatia as denominações de sociopatia
e transtorno de personalidade anti-social ( TPA ). Esta última
denominação é a mais usada nos textos científicos.
O conceito atual de psicopatia refere-se a um transtorno caracterizado
por atos anti-sociais contínuos ( sem ser sinônimo
de criminalidade ) e principalmente por uma inabilidade de seguir
normas sociais em muitos aspectos do desenvolvimento da adolescência
e da vida adulta. Os portadores deste transtorno não apresentam
quaisquer sinais de anormalidade mental (alucinações,
delírios, ansiedade excessiva, etc.) o que torna o reconhecimento
desta condição muito difícil.
Até chegarmos ao conceito atual foi necessário o trabalho
de inúmeros pesquisadores.
Pinel, a partir da observação de que existiam indivíduos
que se comportavam de modo irracional ou inapropriado, publicou
um trabalho em 1806 sobre esta forma de ´´ loucura ``
e usou a denominação manie sans delire ( insanidade
sem delírio ).
Um médico inglês , Prichard (1835) introduziu o conceito
de insanidade moral.
Depois estudiosos alemães introduziram a noção
de ´´ inferioridade constitucional `` dos psicopatas.
Nas
décadas de 30 e 40 os clínicos, com uma orientação
psicodinâmica, estudaram o transtorno e ressaltaram a dimensão
social do transtorno devido à perspectiva cultural que dominava
à época. Nesta etapa nasceu a denominação
sociopata.
A nossa época contribuiu com os exames de imagem e funcionais
do sistema nervoso, altamente sofisticados e chegamos ao conceito
atual, mais neutro, de transtorno de personalidade anti-social (
TPA )
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Quais os critérios que os médicos seguem para diagnosticar
o TPA?
Grande
parte da comunidade científica adota os critérios
do Manual Estatístico e Diagnóstico da Associação
Psiquiátrica Americana que afirma:
Critérios
diagnósticos para o transtorno de personalidade antisocial.
A - Existe um padrão de desrespeito e violação
dos direitos dos outros, ocorrendo desde a idade de 15 anos, como
indicado por três ( ou mais ) dos seguintes:
1)
falhas em adaptar-se às normas sociais que regem os comportamentos
legais, indicadas pela repetição de atos que são
motivos para prisão.
2)
propensão para enganar, indicada por mentiras repetitivas,
uso de
codinomes e manipulação dos outros para benefício
ou prazer pessoal.
3)
impulsividade ou falha em planejar o futuro.
4)
irritabilidade e agressividade, indicado por brigas e agressões
repetitivas.
5)
desrespeito negligente pela própria segurança ou dos
outros.
6)
irresponsabilidade, indicada por falhas repetitivas em sustentar
um trabalho consistente ou honrar obrigações ( financeiras
ou morais ).
7)
falta de remorso, indicado pela indiferença ou racionalização
ao ter maltratado alguém ou roubado alguma coisa.
B
- O indivíduo tem pelo menos 18 anos de idade.
C
- Há evidências de transtornos de conduta com início
antes dos 15 anos de
idade.
D
- A ocorrência do comportamento anti-social não é
exclusiva do curso da
esquizofrenia ou de um episódio maníaco.
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Com critérios tão claros é fácil
fazer o diagnóstico de TPA durante a consulta médica?
Não
é nada fácil uma vez que o portador de TPA é
um mentiroso contumaz. Não existe profissional de saúde
mental que não tenha sido enganado por um psicopata. Em geral
têm uma boa apresentação, falam bem e são
muito convincentes.
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O que pode ajudar a diminuir a enganação?
O
profissional que dispõe de informações provenientes
de familiares, de amigos, de registros hospitalares ou fornecidos
por autoridades pode confrontar o paciente com suas mentiras, às
vezes abrindo as portas para o início de uma relação
terapêutica com um mínimo de sinceridade e às
vezes deixando o paciente furioso e nada propenso a voltar ao médico.
-
Podemos então dizer que os psicopatas criam situações
clínicas difíceis?
Não
existe outro grupo de transtornos mentais que seja tão interessante
e tão frustrante para os clínicos. O enigma de pessoas
tão hábeis para algumas coisas e tão incapazes
para outras levanta questões de uma complexidade fantástica,
mas a falta de continuidade nos contatos ( como veremos na parte
dedicada ao tratamento ) limita muito as possibilidades de compreensão
e estudo desta condição.
Todos
os portadores de TPA tentam ocultar do médico os seus problemas
com os relacionamentos, com a dificuldade de trabalhar e com a lei?
Não.
É impossível generalizar ao falar de TPA. Cada um
tem a sua peculiaridade e recursos diferentes, traduzindo a noção
de um grupo heterogêneo de transtornos.
Alguns falam abertamente de seus comportamentos delinquentes e de
sua dificuldade de viver. Quando abrem o seu mundo interior à
inspecção ( o que ocorre muito raramente ) podemos
ver uma mente estéril, dominada pelo tédio e ausência
de valores e objetivos de vida. Nestas circustâncias podemos
compreender, diante deste vazio, a busca desesperada de estímulos
e sensações, ainda que com o risco da própria
vida e mais comumente da vida dos outros.
-
Qual é a causa do TPA?
Não
existe uma causa única que determine o TPA. É um transtorno
multideterminado o que significa que é o resultado de uma
somatória de fatores.
-
Quais
são estes fatores?
Fatores
genéticos ( os parentes em 1º grau do portador tem 5
vezes mais possibilidades de desenvolver o transtorno que pessoas
da população em geral).
Fatores próprios da mente de cada indivíduo; cada
pessoa tem uma conformação própria que é
resultado da interação de fatores inatos com as experiências
e relações de cuidados ( físicos e afetivos
) no início da vida.
Há internalizações dos vínculos primários,
o que ocorre de forma diferente em cada indivíduo, determinando
que cada pessoa tenha uma arquitetura interior diferente.
Fatores de ordem neurológica, que mostram alterações
já bem estudadas do sistema nervoso.
Fatores
de ordem social também participam. Vivemos uma época
que aspira
liberdade e distância de imposições autoritárias
e isto influencia o
desenvolvimento dos psicopatas. Os psicopatas interpretam a falta
de normas que temos no mundo atual como licença para violentar
os direitos dos outros e não como espaço para a cidadania.
-
A vida familiar também influencia na TPA?
Sim.
Exerce uma grande influência na formação de
uma mente perturbada. Grande parte dos portadores de TPA vem de
famílias muito perturbadas em que os pais, com frequência
também são portadores de TPA. Muitos dos portadores
foram vítimas de violência física e abusos sexuais
dentro de suas próprias casas.
Por outro lado, o surgimento de um filho com as perturbações
de comportamento que mais tarde se cristalizarão com TPA,
tem um efeito devastador sobre a família e pais que, em outras
circunstâncias poderiam ser até razoáveis, perdem
o controle do processo educativo e chegam a ficar descontrolados
na tentativa de realizar a educação de um filho impossível
de ser educado.
-
Podemos concluir que há um verdadeiro círculo vicioso
na formação de novos psicopatas?
Sim.
Uma pessoa agredida e tratada com violência desde cedo na
vida e mais tarde desenvolvendo o TPA será um agressor violento
de seus filhos e reproduzirá o inferno no qual viveu a sua
infância . Em geral eles têm muitos filhos porque constituem
relações de casamentos muito precoces e muito perturbados,
com muitas traições, mentiras, brigas violentas e
rupturas das ligações que não são profundas.
Ao quebrar-se o vínculo precario o portador de TPA em geral
abandona os filhos e inicia outra vez com outra pessoa o mesmo ciclo.
Como não tem sentimentos de compaixão com nenhum ser
humano não há problemas de culpa pelo abandono dos
filhos.
A
falta de sentimento de responsabilidade por seus atos faz com que
eles acreditem que os filhos que eles trouxeram ao mundo são
de responsabilidade
da sociedade, da qual eles não se sentem partes.
- Seria então um meio de prevenir o aumento de portadores
de TPA evitar que estas pessoas tivessem tantos filhos?
Sabemos
que mesmo crianças que são criadas em lares estáveis,
com boas relações afetivas podem vir a desenvolver
o TPA. As que se originam de famílias enlouquecidas têm
poucas chances de escaparem. Orientar os portadores de TPA para
evitarem a gravidez, oferecer-lhe suporte nas épocas de maior
crise, quando estão saindo de casa e tentando encontrar um
lugar no mundo com uma mente inadequada, é um fator de prevenção.
Estas medidas de prevenção encontram oposição
em setores hipócritas da sociedade e de algumas religiões
que acham que todos devem se reproduzir, em qualquer circunstância,
ainda que os filhos gerados não venham a conhecer nada além
do inferno da loucura, miséria e doença.
-
É
grande o número de portadores de TPA na nossa sociedade?
É
praticamente impossível determinar na população
em geral o número de indivíduos portadores de TPA.
É grande a diferença de um para outro e eles se disfarçam
e mentem muito. Em populações específicas,
que ficam confinados estes estudos se tornaram realizáveis
e são da ordem de 20% dos internados em hospitais psiquiátricos
e 70% da população carcerária.
Na população em geral o número estimado é
de 2 a 3%, sendo a proporção homens mulheres 3: 1.
Em resumo, não temos dados satisfatórios neste setor
e não sabemos nem mesmo qual a proporção de
portadores de TPA que chegam ao serviços médicos.
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Quando
os portadores de TPA são punidos por desobedecer leis e violentar
os direitos dos outros eles passam por modificações?
Eles
não se beneficiam de punições e castigos e
hoje se considera verdadeira a antiga afirmação de
que portadores de TPA não aprendem com a experiência.
O comportamento anti-social é repetitivo com ou sem punições.
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Os modernos métodos de investigação neurológico
ajudam a esclarecer porque os portadores de TPA não aprendem
com a experiência, mesmo a maioria tendo uma inteligência
próxima da normal?
Os
exames que se utilizam da tecnologia mais avançada como ressonância
nuclear magnética, tomografias computadorizadas, tomografias
computadorizadas com emissão de positrons e mapeamento topográfico
cerebral entre outros, mostram uma elevada ocorrência de alterações
no lobo frontal do cérebro ( a parte do nosso cérebro
que controla as condutas de relacionamentos com os nossos semelhantes
) e anormalidades em áreas de controle das emoções
( daí a irritabilidade e às vezes ataques de fúria
).
O cérebro dos portadores de TPA funciona de uma maneira lentificada
com pobre estimulação interna ( daí a busca
de situações que criem emoções fortes,
mesmo perigosas ) e são cérebros considerados como
pouco amadurecidos ( dificuldade de aprendizagem, mesmo com punições
).
Um provável amadurecimento cerebral explicaria porque muitos
portadores de TPA estabilizam e até diminuem a sua perturbação
em sua 3º ou 4º década de vida , ocorrência
que é denominada de ´´ desgaste ``.
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Como
é a vida profissional de um portador de TPA?
Os
que chegam a constituir uma certa carreira profissional e tem muito
entrecortado por demissões, problemas com superiores, problemas
com condutas ilegais e de convivência com colegas. Não
chegam a postos mais elevados e constantemente têm problemas
financeiros, reforçando o lado parasitário e predador
deste transtorno. Outros nem isto conseguem e sobrevivem de tráfico
de drogas, prostituição, roubos e sequestros.
É o que conseguem com uma mente nada sofisticada e nenhum
entendimento do mundo afetivo das pessoas que têm os sentimentos
normais.
Aqueles que têm uma mente mais sofisticada chegam a ter sucesso
momentâneo em profissões liberais, nas atividades empresariais
e sobretudo
na política. Mas é só questão de tempo
para a queda. Não é possível enganar a todos
o tempo todo.
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Tendo noção do que é um psicopata como podemos
nos proteger de sua ação predatória?
Como
um todo social tivemos nas últimas eleições
uma experiência de rejeitar nas urnas predadores e enganadores
notórios, mostrando que o conhecimento das práticas
destes indivíduos traz a rejeição e a consequente
proteção.
No nível individual devemos ter mais observação
e conhecimento das pessoas que nos cercam ( os psicopatas sempre
fazem referência à ingenuidade das vítimas de
seus golpes ). Só a prevenção funciona, uma
vez caimos em um golpe não há como revertê-lo.
Quando convivemos com pessoa que não tem nenhuma identificação
com os sentimentos e valores humanos só a distância
e limites pode representar a proteção.
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Com tantos psicopatas gerenciando negócios e empresas como
não ser vítima?
O
grande recurso é a informação .
Uma empresa que é dirigida por um psicopata vai cometer muitas
falhas que irão para os órgãos de defesa do
consumidor e de imprensa.
Se você lê jornais não comprará um apartamento
de uma construtora que usou areia do mar em suas obras, matando,
desabrigando e lesando inúmeras pessoas. A informação
protege e a distância dos psicopatas e seus ´´negócios
`` também.
O único temor dos psicopatas é serem denunciados.
Uma vez conhecida a sua maneira de agir o jogo acaba.
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Porque
os portadores do TPA não temem a justiça?
Não
a temem porque não têm as emoções normais
de um ser humano.
Quando envolvidos em questões legais assistem com indiferença
os processos, como se não tivessem envolvidos.
Quando adquirem muito dinheiro com sua atividade predatória,
usam estes recursos para escapar das consequências de seus
atos, além de grandes promessas de mudança e arrependimento
que às vezes sensibilizam os encarregados da justiça.
Quando não têm recursos financeiros e são condenados
isto não tem importância. Vão para a prisão
onde eles organizam facções criminosas, usam e vendem
drogas, recebem entregas de alimentos e ´´ visitas íntimas
``. Eles não se sentem nada penalizados e a única
coisa que eles temeriam fica muito afastada deles: o trabalho.
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Há
tratamento para estes transtornos?
Os
tratamentos para o TPA na maioria das vezes resultam em nada. O
emprego do psicofármacos é limitado pelo risco de
dependência e as psicoterapias dão pequeno resultado
, em função de que os pacientes têm uma mente
limitada que não aprende com a experiência. As mudanças
que podem ocorrer são muito pequenas e ocorrem em prazos
muito longos. Poucos pacientes e terapeutas conseguem esperar que
isto ocorra, e há um grande desestímulo neste setor.
Muitos terapeutas rejeitam os pacientes com esta condição.
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Então
é muito pouco o que pode ser feito em termos de tratamento?
Com
esta perspectiva tão limitada às vezes o tratamento
consegue ajudar a um ou outro portador de TPA a deixar álcool
e drogas, o que já é um beneficio.
É função do terapeuta orientar os familiares
que terão que conviver sempre com o portador de TPA como
minimizar o efeito destrutivo desta patologia. É muito importante
que os pais não neguem os problemas de conduta que um filho
comece a apresentar, coloquem limites e procurem ajuda para lidar
com o problema.
A
intervenção precoce tem mais possibilidade de ajudar
a obter alguma melhora do que quando o problema já está
consolidado ( após a idade de 18 anos ).
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Como
poderíamos resumir o tema que foi estudado nesta publicação?
Os
aspectos essenciais do estudo do TPA ( psicopatia ou sociopatia
) são:
um transtorno de natureza crônica que inicia-se como transtorno
de conduta em torno de 15 anos e consolida-se como TPA aos 18 anos.
Atinge mais homens do que mulheres, tem componentes genéticos,
familiares, neurológicos e sociais. O número de seus
portadores aumenta muito na sociedade atual.
Os portadores de TPA tem uma inteligência média e alguns
são muito inteligentes. Usam muito os recursos verbais e
são muito convincentes nas suas argumentações.
Tem alterações no lobo frontal ( a parte do cérebro
que controla o relacionamento com as pessoas ) e nos circuitos que
controlam as emoções. Estas alterações
fazem com que sejam agressivos, irritadiços e estabeleçam
relações muito perturbadas.
Muitos cometem crimes violentos ( a maioria não ) e são
conhecidos os casos de matadores em série, terroristas e
líderes do crime organizado. Uma parte dedica-se a atividades
predatórias do ser humano, tendo a enganação
como elemento essencial.
As possibilidades de tratamento são limitadas pois os portadores
de TPA não estabelecem vínculos firmes e duradouros
e não aprendem com a experiência.
Quando punidos não aprendem com a experiência, voltando
a cometer crimes e violar os direitos dos outros.
Não sentem culpa com os atos anti-sociais que cometem e sempre
têm explicações e racionalizações.
Às vezes chegam a dizer que ´´ matei por amor
``. São pessoas extremamente frias e calculistas. Colocam
nos outros ( projetam ) aspectos detestáveis da sua mente
e sentem uma espécie de triunfo e grandiosidade quando enganam
ou agridem alguém.
As medidas de prevenção não são muitas
e consistem em ajudar aos portadores a não se reproduzirem
com o excesso que lhes é peculiar, com medidas de apoio.
A
nível individual a proteção é o conhecimento
e boa observação das pessoas com os quais convivemos
e com quem fazemos transações comerciais.
A sociedade como conjunto pode escolher melhor os políticos
que vão representá-la eliminando os predadores velhacos.
São
Paulo, 18 de novembro de 2002
Dr.
Osvaldo Lopes do Amaral
Diretor Clínico do INEF |