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TRANSTORNOS
MENTAIS
Autor:
Dr. Osvaldo Lopes do Amaral
Diretor Clínico do INEF
- Instituto de Estudos e Orientação
da Família.
Apoio: CBMM - Companhia Brasileira de Mineração e Metalurgia.
O que são Transtornos Mentais?
Transtornos
mentais são alterações do funcionamento da
mente que prejudicam o desempenho da pessoa na vida familiar, na
vida social, na vida pessoal, no trabalho, nos estudos, na compreensão
de si e dos outros, na possibilidade de autocrítica, na tolerância
aos problemas e na possibilidade de ter prazer na vida em geral.
Isto signifíca que os transtornos mentais não deixam
nenhum aspecto da condição humana intocado.
Porque falamos de transtornos mentais e não de doenças
mentais?
Em
medicina, são consideradas doenças as alterações
da saúde que tem uma causa determinada, com a ocorrência
de alterações físicas detectáveis. O
termo transtornos, por outro lado, é reservado para designar
agrupamentos de sinais e sintomas associados a alterações
de funcionamento sem origem conhecida.
Os transtornos mentais, em geral resultam da soma de muitos fatores
como:
- Alterações no funcionamento do cérebro
- Fatores genéticos
- Fatores da própria personalidade do indivíduo
- Condições de educação
- Ação de um grande número de estresses
- Agressões de ordem física e psicológica
- Perdas, decepções, frustrações e sofrimentos
físicos e psíquicos que
perturbam o equilíbrio emocional
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podemos então afirmar que os transtornos mentais não
tem uma causa precisa, específica mas que são formados
por fatores biológicos, psicológicos e sócio-culturais.
Quais exemplos de transtornos mentais poderiam ser citados?
-
Estados de depressão ( sentimentos persistentes de tristeza,
desânimo, idéias pessimistas e de morte ou suicídio
ou tentativas de suicídio, dificuldades de concentração
e de memória ou de tomar decisões. Sintomas físicos
persistentes que não respondem a tratamento como dores de
cabeça, transtornos digestivos e dores crônicas. Perda
de interesse ou prazer em atividades, incluindo sexo. Alterações
de sono, energia diminuida e fadiga).
-
Estado de mania ( irritabilidade, idéias de grandiosidade,
atividade aumentada, incluindo atividade sexual, acentuado aumento
de energia, comportamento social inadequado, julgamento empobrecido,
o que leva a comportamentos de risco, necessidade de sono diminuída,
pensamentos acelerados, fala aumentada).
-
Estado de ansiedade exagerada ( são transtornos sérios
que trazem um nível de ansiedade muito elevado, de caracter
crônico, incessante e que pode aumentar progressivamente quando
não tratados.
Há um comprometimento na realização de tarefas,
consequência da dificuldade de concentração,
da agitação. Há também o aparecimento
de fobias, que não são apenas medos exagerados, são
medos irracionais )
Pertencem a este grupo de transtornos:
- A sindrome do pânico
Onde ocorrem períodos de intensa ansiedade, que surgem espontâneamente
e que usualmente duram menos de uma hora. Estes ataques de pânico
ocorrem aproximadamente duas vezes por semana, podendo ser muito
mais ou muito menos frequentes. Estes ataques de pânico podem
estar associados a agorafobia - medo de estar sozinho em
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lugares públicos, especialmente em situações
nas quais uma saída rápida seria dificil.
- Fobia social ( transtornos de ansiedade social )
Há o surgimento de uma intensa ansiedade, às vezes
até semanas antes da situação temida, onde
a pessoa sente que será exposta ao exame de outras pessoas
e tem medo de agir de uma maneira humilhante ou embaraçante.
- Transtornos obsessivo-compulsivos
As pessoas pensam determinadas coisas de uma forma repetitiva que
chega a ser muito perturbadora ou repetem determinados atos inúmeras
vezes ao dia, chegando a comprometer a execução de
suas tarefas diárias por consumir muito tempo para lidar
com as idéias (obsessões ) ou executar comportamentos
que se tornam verdadeiros rituais (compulsões).
Os comportamentos repetitivos ( compulsões ) são uma
tentativa de reduzir a ansiedade relacionada às idéias
repetitivas e invasoras (obsessões) mas nem sempre funcionam,
podendo até aumentar a ansiedade. Nestas situações
a pessoa pode apresentar somente obsessão, somente compulsão
ou ambos.
Há mais exemplos de transtornos mentais?
Sim
e talvez seja o momento de falarmos um pouco do grupo de transtornos
mentais psicóticos, cujo exemplo mais conhecido é
a esquizofrenia.
Os transtornos psicóticos implicam numa perda da diferenciação
entre o mundo real e o mundo imaginário, em grau variável,
fazendo com que as pessoas atingidas tenham desde uma vida relativamente
normal até uma grande incapacitação.
Os sintomas mais comuns deste grupo de transtornos mentais são
as alucinações (alucinações são
percepções sem uma conexão com a fonte apropriada.
Podem ocorrer na forma auditiva (sons) visual (visões) gustativa
(sabores) e olfativa (cheiros) - ouvir vozes que outras pessoas
não ouvem é o tipo de alucinação mais
comum na na esquizofrenia. As
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vozes descrevem as atividades da pessoa, comentam de coisas que
podem acontecer e, às vezes, dão ordens à pessoa
) e os delírios (são falsas crenças pessoais
que são mantidas mesmo quando confrontadas com evidências
que as contradizem. Os delírios podem estar relacionados
a diferentes temas. Por exemplo, o delírio que ocorre em
aproximadamente um terço das pessoas com esquizofrenia é
o que chamamos de paranóide: a pessoa acredita que está
sendo perseguida, enganada, envenenada e que existe um plano contra
ela. Às vezes o foco da perseguição é
colocado em um familiar, às vezes em pessoas fora da família.
Os delírios também podem ser de grandeza e a pessoa
acredita que ela é uma figura muito importante ou famosa.
Algumas vezes as pessoas com esquizofrenia experimentam delírios
bizarros; por exemplo, acredita que um vizinho controla a sua mente
com aparelhos; que as pessoas nos filmes ou na televisão
estão mandando mensagens especiais para elas; que os seus
pensamentos estão sendo transmitidos por ondas magnéticas
para toda a cidade ).
Nos transtornos mentais psicóticos as pessoas afetadas perdem
a habilidade de ´´ pensar corretamente ``. Os pensamentos
mudam muito rapidamente e não tem um encadeamento lógico;
a pessoa não pode se concentrar em um pensamento por muito
tempo, se distrai com facilidade. Neste caso dizemos que apresenta
um ´´ transtorno do pensamento ``. Tudo isto leva a
que seja difícil que a pessoa seja compreendida pelos outros,
que se afastam, deixando a pessoa muito isolada.
Outro aspecto importante nos quadros psicóticos é
a alteração da expressão emocional. A pessoa
não tem as reações emocionais comuns, são
apáticas, desinteressadas das coisas comuns da vida, a motivação
pode estar muito reduzida. Em casos mais severos a pessoa pode passar
o dia sem fazer praticamente nada e negligenciar até a higiene
pessoal. Nestas situações é muito comum os
familiares, ainda sem noção de que trata-se de uma
perturbação mental, considerarem como má vontade,
uma fraqueza da pessoa.
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A dependência química é um transtorno mental?
Consideramos a dependência de qualquer substância química,
lícita ou ilícita, como um transtorno mental. Hoje
praticamente todos os adolescentes são expostos às
drogas mas os que se tornarão dependentes são uma
minoria. Podemos afirmar que a diferença entre os que se
tornam dependentes e os que não se tornam está na
personalidade, nas condições mentais da pessoa. Uma
vez estabelecido o hábito do uso de drogas, estas se tornarão
causas de outros transtornos mentais, pela
destruição das células do cérebro, os
neurônios. Mesmo com esta destruição e todos
os prejuizos causados à vida familiar, social, de estudos,
de trabalho o indíviduo afetado pela dependência não
pára o uso da droga, uma vez que perdeu a liberdade de escolha.
È muito difícil que ele saia sozinho desta situação
sem um tratamento, sem o apoio de um grupo.
A droga mais comum em nosso país é o álcool
e constitui o maior problema de saúde pública que
temos. Mais da metade dos leitos dos nossos hospitais estão
ocupados por alcoolistas, seja pelas consequências diretas
ou indiretas do álcool ( doenças físicas, acidentes
de trabalho, acidentes automobilísticos, atropelamentos,
etc ).
É fácil diagnosticar, identificar os transtornos
mentais?
Alguns
transtornos mentais são bastante conhecidos do grande público
através de publicações em jornais, revistas
e televisão e são mais facilmente reconhecíveis.
Outros são mais difíceis e menos conhecidos, requerendo
experiência profissional para o seu diagnóstico. O
diagnóstico em psiquiatria é predominantemente clínico
(exames de laboratório, de imagens, raramente dão
uma contribuição importante ) e muitas vezes é
necessário uma diferenciação com doenças
físicas que se manifestam na área mental ( transtornos
glandulares, metabólicos, tumores e outras doenças
).
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Qualquer pessoa pode ter um transtorno mental ou existe um grupo
específico de pessoas que padecerá deste tipo de transtornos?
Qualquer
ser humano, ao longo de sua vida, terá momentos de desequilíbrio
mais ou menos profundos e dependendo da intensidade do seu sofrimento
e de suas condições mentais básicas, poderá
ser um transtorno mental mais grave ou menos grave, mais recuperável
ou menos recuperável, mais passageiro ou mais permanente.
Disto podemos concluir que os transtornos mentais são extremamente
frequentes ( de uma maneira geral um em cada cinco pessoas terá
um diagnóstico de transtornos ) e nenhum grupo social, racial,
econômico,
educacional ou de faixa de idade é poupado. É raro
encontrar uma família que não tenha um membro atingido
por um transtorno mental.
O custo social dos transtornos mentais é muito alto em termos
materiais e de sofrimento humano. É enorme o número
de horas de trabalho perdidas, de carreiras profissionais mutiladas
e de relacionamentos humanos cortados pelos transtornos mentais.
Daí a importância de que toda pessoa tenha uma possibilidade
de reconhecimento da ocorrência destes transtornos em familiares,
amigos, empregados e colegas, tornando-se um elo na corrente de
ajuda pára minimizar a devastação representada
pelos transtornos mentais.
Se ninguém está livre de ter um transtorno mental
e em quase todas as famílias alguém pode ser diagnosticado
como portador de um transtorno mental, por que há tantos
preconceitos em relação a este tema?
Os
preconceitos e a discriminação são uma consequência
de nossos valores culturais e da ignorância; dá-se
muita importância ao sucesso, a mostrar-se forte, a ser um
super-homem.
Os transtornos mentais mostram que a pessoa é apenas humana,
é frágil, e falível. Até a pessoa que
sofre do transtorno mental tem preconceito de si próprio,
tem vergonha de sua condição, o que dificulta que
ela procure ajuda para tratar de sua perturbação,
do seu sofrimento.
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Como são os tratamentos para os transtornos mentais?
Os
transtornos mentais são tratados, de uma maneira geral, como
uma associação de meios psicológicos e medicamentos
( psicofármacos ). Algumas condições não
requerem o uso de medicamentos e são tratados apenas por
meios psicológicos. Caberá ao profissional que faz
o diagnóstico ao ter o primeiro contato com o paciente, fazer
a indicação de que recursos serão necessários
para a recuperação da saúde mental do paciente.
Há
um certo pessimismo em relação aos tratamentos dos
transtornos mentais?
Sim. É um produto também do desconhecimento destes
temas e de expectativas mágicas em relação
aos tratamentos que obviamente não se
cumprem. Os tratamentos para os transtornos mentais são efetivos,
dão muito bons resultados maioria dos casos mas requerem
um esforço sustentado por períodos prolongados, dedicação
e paciência. Os benefícios não surgem no curto
prazo.
Onde posso procurar ajuda para alguém que está
manifestando algum tipo de transtornos mentais?
As
possibilidades são inúmeras. Obviamente as pessoas
que podem pagar pelo seu tratamento contarão com mais opções
pois terão acesso a um grande número de profissionais
de saúde mental em seus consultórios particulares.
Para as pessoas que não disponham de recursos financeiros
para tanto, nem da cobertura de plano de saúde ou convênios,
poderão recorrer a Centros de Saúde Mental mantidos
pelo Estado ou pela Municipalidade, a clínicas de atendimento
psicológico mantidas por Universidades ou a serviços
oferecidos por Organizações Não Governamentais,
sem fins lucrativos.
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O importante é começar a procurar por algum ponto.
Uma pessoa que queira tratar-se não deixará de fazê-lo
por problemas financeiros.
A comunidade dispõe de recursos acessíveis a todos.
Caso
você deseje maiores informações sobre este tema
entre em contato com o
INEF - Instituto de Estudos e Orientação da Família
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Fone: 3667-6786 ou Fone/ fax: 3826-4030
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