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TRANSTORNO
DO DEFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE
- TDAH -
Estudaremos, nesta publicação, a condição
clínica conhecida como transtorno do deficit de atenção
e hiperatividade, TDAH, que vem sendo estudada desde 1930 nos EUA
e Europa.
No início, esta condição clínica era
considerada como decorrência de lesão cerebral, mesmo
quando não houvesse lesão conhecida, e o conceito
de lesão cerebral mínima persistiu até a década
de 1960, quando foi substituído pelo conceito de disfunção
cerebral mínima.
Posteriormente, o foco desviou-se da origem e do mecanismo do transtorno
para a sintomatologia e chegamos à conceituação
atual, que ainda está em evolução e ainda é
muito debatida entre os estudiosos deste transtorno.
Os conhecimentos sobre a causa ou causas do transtorno do deficit
de atenção e hiperatividade continuam amplamente especulativos,
mas a experiência clínica acumulada trouxe diretrizes
diagnósticas aperfeiçoadas para reconhecimento do
transtorno.
O TDAH vem recebendo crescente atenção da mídia
em função do número de pessoas afetadas: 2
a 10% dos escolares, em diferentes estudos e um número desconhecido
ainda de adultos e pré-escolares.
Como são as manifestações clínicas
do transtorno do deficit de atenção e hiperatividade?
O TDAH é
composto de sintomas em três áreas: O deficit de atenção,
a hiperatividade e a impulsividade, traduzindo um grau inadequado
de desenvolvimento e resultando num comprometimento significativo
das funções sociais, das relações familiares,
das realizações nos estudos e nas atividades profissionais.
Os sintomas surgem antes dos 7 anos de idade e persistem por pelo
menos 6 meses, em dois ou mais ambientes ( casa, escola, locais
de lazer ). A hiperatividade geralmente é notada antes dos
7 anos, o que pode não acontecer com a falta de atenção,
pois só após esta idade a criança é
solicitada a participar de atividades mais estruturadas que requerem
um uso maior da atenção.
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O deficit de
atenção é estabelecido pela presença
de pelo menos seis das nove características a seguir:
- hábito de se distrair facilmente com estímulos exteriores,
- hábito de ser muito ´´ desligado `` nas atividades
cotidianas,
- hábito de perder objetos necessários às tarefas
ou atividades ( brinquedos, material escolar e ferramentas ),
- dificuldade de manter a atenção fixa a detalhes
ou ocorrência de erros por descuido nas tarefas escolares,
no trabalho ou em outras atividades,
- dificuldade de manter a atenção nas tarefas cotidianas
ou nas brincadeiras,
- Dificuldade de audição quando não se fala
diretamente ao indivíduo,
- Dificuldade na organização de tarefas e atividades,
- Hábito de evitar ou ficar relutante em se envolver em tarefas
que exijam esforço mental sustentado ( como as lições
em classe e em casa ),
- Dificuldade para seguir instruções, deixando de
terminar as tarefas escolares, domésticas ou deveres no trabalho
( não por um comportamento, de oposição ou
por não conseguir entender as instruções ).
A hiperatividade/impulsividade
É caracterizada pela presença de seis entre nove comportamentos,
seis dos quais estão relacionados à hiperatividade
e três com impulsividade.
Hiperatividade
- hábito de se contorcer nos assentos e ter as mãos
e os pés inquietos,
- hábito de sair da carteira na sala de aula, ou em outras
situações em que se espera que permaneça sentado,
- fala excessiva,
- dificuldade em brincar ou de se envolver em atividades de lazer
mais tranquilas,
- hábito de estar sempre muito ativo ou de agir como se ´´
movido `` por um motor,
- hábito de correr ou subir e descer escadas em situações
impróprias, de maneira persistente.
Impulsividade
- hábito de falar abruptamente ou de responder antes que
as perguntas sejam terminadas,
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- dificuldade
de esperar a sua vez,
- hábito de interromper, ou de se intrometer em experiências
alheias (conversas ou jogos).
Com estas
manifestações do TDAH, como fica a situação
da pessoa portadora na escola e no meio social?
A participação
do portador do TDAH nas atividades escolares e de lazer fica muito
comprometida.
Não são os alunos preferidos dos professores e nem
os colegas preferidos em uma classe. Representam um problema e um
desafio para a escola e uma dificuldade para os amigos. É
difícil conviver com pessoas agitadas, turbulentas e que
não sabem esperar a sua vez de falar e de agir.
É
frequente o diagnóstico do TDAH?
O transtorno
do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH
) é um dos transtornos psiquiátricos mais frequentemente
diagnosticados em crianças. Alguns estudos indicam que o
TDAH afeta de 3% a 6% das crianças em idade escolar. Outros
estudos mostram cifras de 2% a 10% em países e culturas diferentes.
Não é conhecida a taxa de incidência em adultos
e crianças em idade pré-escolar.
Porque é importante que o diagnóstico do TDAH seja
estabelecido o mais cedo possível?
Pesquisas extensas
em populações diferentes verificaram riscos significativos
associados a esta condição clínica: baixo nível
de escolaridade, abandono da escola, abuso de substâncias
e comportamento criminoso. O TDAH é uma condição
que tende a durar toda a vida do indivíduo afetado e frequentemente
está associado a várias condições de
alterações mentais ( são as chamadas condições
comórbidas ), sendo a associação mais grave
a do distúrbio de conduta.
O TDAH, com ou sem comorbidade, é um fator de risco para
a ocorrência de abuso de substâncias entre adultos.
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Outras comorbidades
frequentes envolvem os transtornos depressivos e o transtorno bipolar.
Como as afecções comórbidas se associam a um
maior comprometimento do funcionamento cognitivo, social e psicológico,
justifica-se a intervenção precoce e vigorosa.
Existem exames
específicos para ajudar no diagnóstico do TDAH?
Não existem
exames de laboratório e de neuro-imagens específicos
para o TDAH.
O diagnóstico é feito a partir da demonstração
de características neurocomportamentais de desatenção
e hiperatividade/impulsividade comprometedoras do funcionamento
do indivíduo e impróprias para determinada fase do
desenvolvimento.
No processo diagnóstico é utilizada a história
clínica completa, entrevistas (com criança, pais e
professores). Alguns testes e questionários podem dar uma
contribuição ao diagnóstico.
Que condições
mentais são importantes de serem diferenciadas do TDAH?
O principal
interesse neste campo é discernir os distúrbios primários
da atenção daqueles que são secundários
a outros transtornos. O retardo mental não reconhecido, as
dificuldades específicas de aprendizagem, os distúrbios
específicos da fala, os comprometimentos auditivos, bem como
os transtornos mentais ( transtorno do afeto, transtorno ansioso,
transtorno dissociativo ou transtorno de personalidade ) podem simular
os transtornos de atenção. Muitas vezes estes distúrbios
coexistem com o TDAH e podem não permitir uma boa diferenciação.
A presença de transtorno generalizado do desenvolvimento
e transtornos psicóticos dificultam o diagnóstico
do TDAH.
Qual é a causa do TDAH?
A causa do TDAH
é desconhecida e é bastante provável que ela
seja multifatorial. A ocorrência do TDAH está relacionada
a um certo número de
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´´fatores
de risco`` pré-natais: tabagismo e alcoolismo materno e sofrimento
emocional pré-natal. É comum a associação
com baixo peso ao nascimento que pode ser determinado por vários
fatores.
Estudos de gêmeos, irmãos e meio-irmãos, adotados
e famílias apontam para um componente genético importante.
Tem sido demostradas anormalidades neurobiológicas no cortex
pré-frontal (área envolvida com a função
executiva) e no giro cingulado (área cerebral envolvida na
concentração e seleção de respostas).
As pesquisas tem mostrado, de maneira consistente, uma diminuição
da transmissão dopaminérgica (uma substância
química transmissora de mensagens no sistema nervoso) nas
áreas com anormalidades neurobiológicas.
Como é feito o tratamento do TDAH?
O tratamento
do TDAH é complexo e deve ser coordenado por profissionais
especializados. Envolve o uso de psicofármacos estimulantes
do sistema nervoso central: dextro anfetamina, metilfenidato e pemolina.
O mecanismo de ação dos estimulantes é desconhecido.
O uso dos psicofármacos é controvertido devido às
alterações que podem produzir no crescimento e pelo
potencial de abuso de sustâncias estimulantes do sistema nervoso.
Quando estes fármacos são usados de maneira equilibrada
e dentro da faixa terapêutica, os benefícios são
maiores que os riscos.
A psicoterapia tem um papel importante em reduzir a ansiedade do
paciente, ajudá-lo a criar uma estrutura para sua vida e
reduzir a exigência de ser perfeito. A terapia ajuda na compreensão
e aceitação do uso de medicamentos.
A orientação dos pais é muito importante para
que eles compreendam que a permissividade não é benéfica
a seu filho, aceitem suas limitações e exijam aquilo
que se exije de outras crianças.
Qual é o curso e o prognóstico do TDAH?
Os curso do
TDAH é altamente variável.
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Os sintomas
podem persistir na adolescência e na vida adulta; eles podem
desaparecer na puberdade; ou a hiperatividade pode desaparecer mas
o deficit de atenção e os problemas com o controle
dos impulsos podem persistir.
A hiperatividade, geralmente, é o primeiro sintoma a desaparecer
e a distraibilidade, o último.
Quando ocorre a remissão dos sintomas é entre a idade
de 12 a 20 anos. A remissão pode ser seguida de uma adolescência
e vida adulta produtivas, boas relações interpessoais
e poucas sequelas importantes.
Em 15 a 20% os sintomas do TDAH permanecem na vida adulta.
Cerca de 25% das crianças com TDAH podem se tornar delinquentes
na adolescência ou desenvolver um transtorno de personalidade
antisocial na vida adulta ou ambos.
Os estudos mostram que o tratamento dos portadores do TDAH melhora
significativamente o prognóstico .
Há meios de prevenir o TDAH?
Não existem
medidas preventivas específicas para o TDAH.
Existem barreiras
à procura de ajuda e tratamento para o TDAH?
As barreiras
existem e vão desde a dificuldade que pais e professores
têm de reconhecer a necessidade de procurar ajuda para uma
criança, a dificuldades financeiras, a expectativas negativas
quanto ao tratamento e temor do estigma.
As iniciativas educacionais podem melhorar as possibilidades de
detecção e encaminhamento precoce de portadores do
TDAH para o tratamento.
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